Uma fruta pequena e escura, comum em quintais brasileiros, ganhou atenção por seu potencial para ajudar a controlar os níveis de glicose no sangue. Pesquisas apontam que a jabuticaba, especialmente a casca roxa, concentra compostos que atuam no metabolismo da glicose e podem ser úteis como complemento à alimentação.
O efeito atribuído à jabuticaba está ligado às antocianinas presentes na casca, pigmentos que atuam como antioxidantes. Estudos indicam que essas substâncias podem retardar a absorção de açúcar pelo organismo, reduzindo picos de glicemia após as refeições. Além disso, os mesmos compostos parecem melhorar a sensibilidade do corpo à insulina, hormônio essencial para o transporte de glicose do sangue para as células.
Os resultados observados em pesquisas derivam do uso de suplementos concentrados feitos a partir da casca da jabuticaba. Nos estudos citados, participantes com síndrome metabólica e obesidade receberam 15 gramas diários desse suplemento por cinco semanas. Os pesquisadores ressaltam que a utilização da fruta como estratégia para controle glicêmico deve ser discutida com um profissional de saúde antes de iniciar qualquer suplementação.
Como incluir a jabuticaba na rotina
Embora as evidências sobre redução do açúcar no sangue envolvam suplementos concentrados da casca, há formas práticas de consumir a jabuticaba no dia a dia que preservam seus nutrientes:
- In natura: comer a fruta fresca e mastigar a casca junto à polpa garante a ingestão das antocianinas e fibras.
- Sucos e vitaminas: bater jabuticabas inteiras e lavadas no liquidificador com água ou leite vegetal. Coar não é recomendado, pois pode eliminar boa parte dos compostos benéficos.
- Farinha da casca: desidratar as cascas ao sol ou em forno em baixa temperatura até secarem, e triturá-las em pó. Essa farinha pode ser adicionada a iogurtes, frutas, vitaminas e massas, sendo a alternativa caseira mais próxima dos suplementos usados nos estudos.
- Geleias com menos açúcar: preparar geleias caseiras usando adoçantes naturais ou reduzindo o açúcar permite aproveitar o sabor e os compostos da casca; cozinhar a fruta inteira ajuda a extrair seus princípios ativos.
Os pesquisadores da Unicamp destacam que a casca da jabuticaba não substitui tratamentos médicos e deve ser considerada um complemento ao cuidado, acompanhado de alimentação equilibrada, prática de exercícios e acompanhamento profissional. Além dos possíveis efeitos sobre a glicemia, a jabuticaba consumida in natura é rica em fibras e tem propriedades anti-inflamatórias, fatores que contribuem para a saúde geral e a sensação de saciedade.
Com informações de Correiobraziliense