Com a direção do argentino Emilio García Wehbi e texto de Pedro Kosovski, a obra incorpora a filosofia japonesa Kintsugi para entrelaçar memórias pessoais, apagamentos políticos e investigações sobre o Alzheimer. A temporada será realizada de 4 a 14 de junho de 2026.
Como lidar com os cacos do que se partiu? O que fazer com as lembranças que preferiríamos apagar? Essas reflexões são o ponto de partida para o renomado grupo paulista LUME Teatro, que se apresenta no Centro Cultural Banco do Brasil Brasília (CCBB) com o espetáculo “KINTSUGI, 100 memórias”, programado para ocorrer entre 4 e 14 de junho de 2026.
Esta montagem celebra quatro décadas do coletivo, fundado em 1985 na UNICAMP, e mistura experiências pessoais com questões políticas em uma dramaturgia fragmentada e autoficcional. O espetáculo é dirigido pelo argentino Emilio García Wehbi, conhecido por seu trabalho no grupo El Periférico de Objetos, enquanto o roteiro é de autoria do premiado carioca Pedro Kosovski, ganhador dos prêmios Shell e APCA.
Inscrições Abertas para Workshop Gratuito de Teatro em Brasília
Além das apresentações do espetáculo, o grupo oferece uma chance única para os artistas do Distrito Federal participarem do curso gratuito intitulado “Treinamento Técnico para Atuadores”, que será conduzido por Jesser de Souza.
- Datas: De 4 a 7 de junho de 2026 (quinta a domingo)
- Horário: Das 10h às 13h
- Número de vagas: Limitadas a 24 participantes selecionados
- Inscrições: Abertas de 5 a 25 de maio de 2026 através do Formulário de Inscrição.
- Anúncio dos selecionados: Será feito no dia 27 de maio.
Tópicos abordados: O workshop proporcionará uma imersão na metodologia e rotina formativa do LUME. Serão discutidos assuntos como ética do ator, preparação corpo-mente, ampliação das capacidades expressivas e transformação do peso em energia cênica.
Kintsugi e a Beleza da Imperfeição
A expressão japonesa Kintsugi traduz-se como “reparação com ouro”. Esta técnica tradicional envolve consertar cerâmicas danificadas utilizando uma mistura de laca e pó dourado, conferindo ao objeto restaurado um valor ainda maior que o original.
No enredo da peça, essa filosofia serve como uma metáfora primordial. Na cena inaugural, um vaso cerâmico é quebrado no palco, desafiando os atores Ana Cristina Colla, Jesser de Souza, Renato Ferracini e Raquel Scotti Hirson.
O espetáculo busca reinterpretar as rupturas da vida humana; assim como a arte japonesa realça fendas com ornamentos dourados, ele ilumina marcas individuais e coletivas — desde lembranças da ditadura militar até momentos da redemocratização brasileira.
Conexões entre Alzheimer e Esquecimento Político
A pesquisa realizada pelo LUME teve início focando na Doença de Alzheimer, inspirada por um fenômeno observado em Angostura, na Colômbia, onde muitos habitantes apresentam uma mutação genética que resulta em demência precoce.
Durante meses em 2018, os integrantes do elenco acompanharam atividades na ala neurológica do Hospital das Clínicas da UNICAMP. Contudo, devido ao cenário político vigente na época, o grupo decidiu expandir sua análise para incluir impactos sociais. O Alzheimer passou a simbolizar uma investigação sobre o esquecimento voluntário e o apagamento da memória como um projeto político deliberado.
Noturnos de Chopin e Música como Gatilho Emocional
Pesquisas indicam que melodias antigas têm a capacidade de ativar áreas não afetadas pelo Alzheimer no cérebro humano, ajudando no resgate da identidade emocional dos indivíduos.
Cientes disso, os pesquisadores Janete El Haouli e José Augusto Mannis criaram um verdadeiro “bordado sonoro” para a performance. Utilizando releituras eletroacústicas dos Noturnos de Chopin, interpretadas por Brigitte Engerer, a trilha sonora se transforma em um “vapor sonoro”, proporcionando aos espectadores uma experiência sensorial singular e envolvente.
Informações sobre “KINTSUGI, 100 memórias” no CCBB Brasília
- Categoria: Autoficção / Teatro Contemporâneo
- Localização: Teatro do Centro Cultural Banco do Brasil Brasília (SCES Trecho 2 Lote 22)
- Dias: De 4 a 14 de junho de 2026
- Sessões: Quintas a sábados às 20h; domingos às 18h.
- Aviso: Durante a semana dos jogos da Copa do Mundo, excepcionalmente a sessão de sábado será antecipada para quarta-feira (10/06), às 20h.
- Valores dos ingressos: R$ 30 (inteira) e R$ 15 (meia-entrada e clientes Ourocard)
- Pontos de venda: Ingressos disponíveis a partir de 30 de maio pelo site bb.com.br/cultura ou na bilheteria física do CCBB.
- Duração total: Aproximadamente duas horas | Avaliação etária: Recomendado para maiores de 14 anos
- Acessibilidade: Sessões disponíveis com tradução em Libras.
Como chegar ao CCBB: Transporte Gratuito Disponível
O público terá à disposição transporte gratuito aos sábados através da van chamada Vem pro CCBB, que realiza trajetos diários partindo da Biblioteca Nacional de Brasília, com saídas regulares a cada hora (início às 13h) e retorno até às 21h30. Os interessados devem retirar ingressos gratuitos pelo site do CCBB ou escaneando QR Code disponível no local.