A menos de um mês do primeiro turno, empresas acompanham cenário político, juros, inflação e possíveis mudanças fiscais antes de definir investimentos, estoques e estratégias para 2027
A proximidade das eleições gerais de outubro já começa a influenciar o ambiente de negócios brasileiro. Com o primeiro turno marcado para 4 de outubro e mais de 150 milhões de brasileiros aptos a votar, segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), indústria, varejo, serviços e demais setores produtivos entram na reta final do ano monitorando não apenas o comportamento do consumidor, mas também as propostas dos candidatos para economia, tributação, gastos públicos, crédito, emprego e ambiente regulatório. O movimento ocorre em um momento de desaceleração da atividade econômica. Dados oficiais mostram que o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro cresceu 0,5% no segundo trimestre de 2026 em relação ao primeiro trimestre. Na comparação com o mesmo período de 2025, a expansão foi de 2%. No acumulado de quatro trimestres, o crescimento ficou em 1,9%. No mesmo período, a indústria avançou 0,1% na margem e os serviços, 0,2%, evidenciando uma economia que continua crescendo, mas em ritmo mais moderado. No varejo, o cenário também é de cautela, embora existam sinais positivos. Em junho, o volume de vendas do varejo restrito avançou 0,5% na comparação mensal e 2,9% frente a junho de 2025. Já o varejo ampliado apresentou queda de 1% na margem, mostrando que segmentos mais dependentes de crédito e bens de maior valor continuam enfrentando um ambiente mais desafiador. O setor de serviços, por sua vez, permaneceu estável em junho, mas registrou crescimento de 2% na comparação anual e alta de 2,6% no acumulado de 12 meses. O desempenho demonstra resiliência, mas também revela um mercado mais seletivo e atento ao comportamento da renda e do consumo.
Para o empresário, a eleição chega, portanto, em um momento no qual decisões de investimento, contratação, formação de estoques, expansão e concessão de crédito precisam ser tomadas em meio a um ambiente de juros ainda elevados. O Boletim Focus divulgado pelo Banco Central em 8 de setembro aponta expectativa de inflação de 5% para 2026, crescimento de 1,93% para o PIB e Selic de 13,75% ao final do ano. A taxa básica atualmente está em 14%. Nesse contexto, a palavra que ganha força entre os agentes econômicos é previsibilidade. Mais do que antecipar quem vencerá a eleição, empresas precisam compreender quais serão as diretrizes econômicas do próximo governo e como elas poderão impactar custos, impostos, crédito, investimentos e consumo.
“O empresário não precisa necessariamente saber quem vai ganhar a eleição hoje. Ele precisa saber qual será o ambiente para empreender amanhã. Investimento, contratação e expansão dependem de confiança e previsibilidade. Quando existe clareza sobre regras, política econômica e segurança jurídica, o empresário consegue planejar; quando existe incerteza, ele naturalmente fica mais conservador”, afirma Ricardo Nunes, fundador do Grupo R1 e da Ricardo Eletro.
A percepção de cautela já aparece entre os empresários do comércio. Pesquisa da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) mostrou que o Índice de Confiança do Empresário do Comércio (Icec) caiu para 101,3 pontos em agosto, o menor nível do ano, refletindo avaliações mais negativas sobre as condições atuais e menor disposição para investimentos. Na indústria, o processo eleitoral também chega acompanhado de uma agenda econômica robusta. A Confederação Nacional da Indústria (CNI) apresentou em junho o documento “Construindo o Brasil 2050: a indústria na agenda dos presidenciáveis”, reunindo propostas relacionadas a crescimento sustentável, competitividade, inovação e desenvolvimento econômico. O encontro contou com mais de mil representantes do setor produtivo.
Para Ricardo Nunes, o período eleitoral também pode representar uma oportunidade para o setor produtivo discutir o futuro do país de maneira mais estratégica.
“O Brasil tem um mercado consumidor enorme, empresas capazes de competir e empreendedores dispostos a investir. O que precisamos é transformar o período eleitoral em uma discussão sobre desenvolvimento. O próximo ciclo precisa olhar para produtividade, competitividade, geração de empregos, crédito, infraestrutura e, principalmente, para um ambiente em que quem produz tenha segurança para continuar investindo”, destaca.
Outro ponto de atenção é o comportamento do consumidor. Com inflação projetada em 5% para o ano e juros ainda elevados, famílias e empresas tendem a permanecer mais criteriosas nas decisões de compra e financiamento. Para o varejo, isso aumenta a importância de preço, crédito, experiência, eficiência operacional e capacidade de adaptação. Ao mesmo tempo, o período eleitoral tradicionalmente movimenta determinados segmentos da economia por meio de gastos de campanha, comunicação, eventos, tecnologia, transporte, alimentação, publicidade e serviços especializados. O efeito, entretanto, não é uniforme entre os setores e dependerá da intensidade da atividade econômica e das decisões de política fiscal e monetária ao longo do segundo semestre.
O mercado financeiro também já reage às expectativas relacionadas ao cenário eleitoral. Nesta terça-feira, 8 de setembro, o dólar abriu em torno de R$ 5,10, enquanto investidores acompanhavam simultaneamente pesquisas eleitorais, petróleo e indicadores econômicos. O Ibovespa também vinha acumulando valorização relevante desde meados de agosto, mostrando que o mercado continua precificando diferentes cenários para a economia brasileira.
Para o fundador do Grupo R1, entretanto, o principal desafio das empresas não está apenas em atravessar o período eleitoral, mas em estar preparadas para o cenário que surgirá depois dele.
“A eleição termina em outubro, mas as decisões empresariais precisam olhar para os próximos cinco ou dez anos. Empresas que esperarem o resultado para começar a pensar no futuro provavelmente chegarão atrasadas. O momento exige planejamento, gestão de caixa, eficiência e capacidade de enxergar diferentes cenários. É preciso estar preparado tanto para um ambiente de aceleração quanto para um cenário mais desafiador”, conclui Ricardo Nunes.
A expectativa é que, nas próximas semanas, o comportamento das pesquisas, os debates, os programas econômicos dos candidatos e as sinalizações sobre política fiscal e monetária ganhem ainda mais peso nas decisões de empresários e investidores. Para indústria, comércio e serviços, a eleição de 2026 representa, portanto, não apenas uma disputa política, mas um importante divisor de águas para as expectativas de negócios, investimentos e consumo no Brasil.
FONTES
Tribunal Superior Eleitoral (TSE) — Calendário e informações oficiais das Eleições Gerais 2026.
Banco Central do Brasil — Boletim Focus, 8 de setembro de 2026 — Projeções para IPCA, PIB, câmbio e Selic.
IBGE / Ministério da Fazenda — PIB 2º trimestre de 2026 — Dados de atividade econômica, indústria, serviços e consumo.
IBGE / Ministério da Fazenda — Pesquisa Mensal do Comércio (PMC), junho de 2026 — Dados sobre desempenho do varejo.
IBGE / Ministério da Fazenda — Pesquisa Mensal de Serviços (PMS), junho de 2026 — Dados sobre desempenho do setor de serviços.
Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) — Índice de Confiança do Empresário do Comércio (Icec), agosto de 2026.
Confederação Nacional da Indústria (CNI) — “Construindo o Brasil 2050: a indústria na agenda dos presidenciáveis”.
Sobre Ricardo Nunes
Ricardo Nunes é um dos empresários mais reconhecidos do Brasil e uma voz de referência em empreendedorismo, varejo e estratégia econômica. Fundador de uma das marcas mais emblemáticas do varejo nacional e empreendedor serial com décadas de experiência prática, Nunes é amplamente respeitado por sua visão pragmática, resiliência empresarial e profundo conhecimento do ambiente de negócios brasileiro. Presença constante em debates sobre economia, liderança, recursos humanos e transformação de mercado, Ricardo Nunes se consolida como um líder de opinião que conecta execução empresarial real com pensamento estratégico de longo prazo, defendendo crescimento ético, estabilidade institucional e o fortalecimento sustentável do empresariado no Brasil.
Sobre o Grupo R1
Fundado por Ricardo Nunes, o Grupo R1 é um ecossistema dedicado à formação, ao fortalecimento e à profissionalização do empresariado brasileiro. Com metodologia de vivência na prática, foco em resultados e visão ética de longo prazo, o grupo oferece programas, encontros seletos e experiências voltadas à construção de negócios sustentáveis em um mercado cada vez mais competitivo e dinâmico.
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